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MPC aponta gasto de R$ 2,9 milhões com São João e pede investigação contra gestão Rigo Teles em Barra do Corda

A gestão do prefeito Rigo Teles entrou na mira do Ministério Público de Contas do Maranhão após a realização de contratos de quase R$ 3 milhões para o São João de Barra do Corda. Em representação apresentada no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), o órgão aponta uma série de irregularidades envolvendo a contratação de shows, falta de transparência e possíveis falhas na divulgação dos gastos públicos.

O foco da denúncia é uma contratação de R$ 2.913.721 para a realização de apresentações artísticas durante o São João de 2026. De acordo com o Ministério Público de Contas, documentos fundamentais relacionados ao contrato não foram encontrados no Portal da Transparência da Prefeitura, no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) nem no sistema de prestação de contas utilizado pelo TCE.

A situação chamou ainda mais atenção porque a própria Prefeitura divulgou nas redes sociais uma extensa programação de shows com atrações como Joelma, Guto Ximenes, Jordan Menezes e outros artistas. Apesar disso, segundo a representação, não há informações públicas que permitam identificar os contratos, os valores pagos aos artistas ou a forma como essas apresentações foram contratadas.

O documento afirma que a prefeitura concentrou a contratação de atrações nacionais, regionais e locais em um único processo, dificultando a identificação dos cachês e dos custos individuais de cada show. Para o órgão de controle, a falta de informações impede que a população e os órgãos fiscalizadores saibam quanto foi gasto efetivamente com cada artista que subiu ao palco durante as festividades juninas.

A representação também destaca que Barra do Corda apresenta indicadores preocupantes em áreas essenciais. Dados citados pelo Ministério Público de Contas apontam que o município não atingiu índices mínimos exigidos para investimentos na educação, cenário que levou o órgão a questionar a destinação de quase R$ 3 milhões para eventos festivos enquanto áreas consideradas prioritárias apresentam desempenho abaixo do esperado.

Outro ponto levantado é o valor da contratação. Com pouco mais de 84 mil habitantes, Barra do Corda teria realizado despesas muito acima dos parâmetros de referência estabelecidos em orientação conjunta de órgãos de controle para contratações artísticas em municípios do mesmo porte. Segundo o MPC, o montante desembolsado apresenta fortes indícios de gasto excessivo e incompatível com a realidade financeira do município.

Diante das suspeitas, o Ministério Público de Contas pediu que o TCE apure a contratação, determine a apresentação de toda a documentação referente aos shows realizados no São João de 2026 e obrigue a Prefeitura de Barra do Corda a atualizar os portais de transparência com todas as informações sobre os contratos e despesas da festa.

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