Prints que circulam em grupos de WhatsApp mostram um homem identificado como André Nascimento, apontado como motorista do ex-prefeito de Caxias-MA, Fábio Gentil, compartilhando um vídeo produzido com inteligência artificial contra o deputado federal Paulo Marinho Jr.
O conteúdo faz referência à votação do projeto que altera a jornada de trabalho e prevê dois dias de folga semanal. O vídeo, supostamente teria sido criado pela equipe de mídia da prefeitura de Caxias, com o objetivo de desgastar sua imagem nas redes sociais por meio de recursos de inteligência artificial, o que é considerado crime.
O episódio chama atenção porque o grupo político de Fábio Gentil já responde na Justiça Eleitoral a uma ação envolvendo suposto uso de deepfake durante as eleições municipais de 2024 em Caxias.
Na ação, Paulo Marinho Jr acusa Fábio Gentil de ter utilizado um áudio manipulado para prejudicar sua candidatura na disputa pela Prefeitura de Caxias. Durante a campanha, o então prefeito apresentou em um evento público um áudio atribuído ao ex-prefeito Paulo Marinho, pai do deputado, no qual ele supostamente afirmava que servidores municipais seriam demitidos caso o filho fosse eleito.
Paulo Marinho Jr sustenta que o material foi criado com uso de inteligência artificial e que sua divulgação teve impacto direto no resultado da eleição, decidida por uma diferença de menos de 600 votos. Por isso, pediu à Justiça a cassação do prefeito eleito Gentil Neto.
O caso chegou ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) e se tornou um dos primeiros do estado a discutir o uso de deepfake em campanhas eleitorais.
Agora, a divulgação de um novo conteúdo produzido com inteligência artificial por pessoas ligadas ao ex-prefeito reacende o debate sobre o uso desse tipo de ferramenta para influenciar a opinião pública e atingir adversários políticos.
Além dos processos eleitorais, Fábio Gentil já foi alvo direto de duas operações da Polícia Federal, onde também responde criminalmente.
Em 2022, a Operação Arconte investigou suspeitas de fraudes em contratações na área da saúde em Caxias, incluindo recursos destinados ao combate à Covid-19. Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), havia indícios de direcionamento de contratos e desvio de recursos públicos.
Mais recentemente, a Operação Lei do Retorno apurou suspeitas de desvios de recursos do Fundeb por meio de licitações fraudulentas. As investigações apontam que parte dos valores contratados retornava para servidores públicos envolvidos no esquema. A ação cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em municípios do Maranhão e do Piauí.
O vídeo utiliza inteligência artificial para denegrir a imagem de Paulo Marinho Jr e pode enquadrar seus criadores e divulgadores nas punições previstas pela legislação eleitoral, incluindo multas. O objetivo é claro: desgastar a imagem do deputado federal e prejudicar sua reeleição em 2026, já que ele é um dos principais adversários da deputada federal Amanda Gentil, filha do ex-prefeito Fábio Gentil, na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.








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