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Servidor da Prefeitura de Caxias ligado a Fábio Gentil vira alvo de operação por compra de votos após debochar da PF; investigação pode levar a novo pedido de cassação de Gentil Neto

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (3) a operação “Tá na Conta” em Caxias, no Maranhão, no desdobramento de uma investigação que revela um esquema de compra de desistência de candidaturas durante as eleições municipais. A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e repartições públicas em Caxias e na cidade de Teresina, no Piauí.

A investigação se baseia na análise de celulares, mensagens e arquivos digitais apreendidos pela Polícia Federal ao longo do inquérito. A extração desses dados revelou conversas que descrevem negociações envolvendo dinheiro, transferências via PIX e promessas de cargos públicos em troca da retirada de candidaturas da disputa eleitoral.

De acordo com o material analisado pelos investigadores, João Victor Lopes de Oliveira e Allan Carlos Assunção Nascimento aparecem nas conversas oferecendo R$ 50 mil para que a candidata Andressa dos Santos Machado desistisse da disputa. A retirada da candidatura teria como objetivo comprometer a composição da cota de gênero de uma chapa adversária, o que poderia inviabilizar a candidatura do grupo rival.

Outro investigado, Antonio Lucas Lima de Oliveira, também aparece nas conversas oferecendo R$ 40 mil e promessas de emprego à mesma candidata para que ela abandonasse a disputa eleitoral. As mensagens mostram que as negociações envolviam não apenas dinheiro, mas também a promessa de benefícios e favores políticos.

A análise dos celulares também revelou movimentações financeiras durante o período eleitoral. Em um dos diálogos, um dos investigados relata ter recebido R$ 25 mil e posteriormente realizado transferências para outras pessoas envolvidas nas articulações políticas.

As conversas extraídas dos aparelhos apreendidos também citam nomes centrais do grupo político que governou Caxias nos últimos anos. Entre os mencionados aparecem Mário Assunção, Daniel Veras, Gentil Neto, o ex-prefeito Fábio Gentil e Othon Luiz Maranhão, apontados nas mensagens como interlocutores ou pessoas ligadas às articulações investigadas.

Em um dos trechos analisados pela Polícia Federal, um interlocutor relata um acordo político envolvendo diretamente o então prefeito Fábio Gentil, com promessa de pagamento de R$ 20 mil em duas parcelas e garantia de um cargo na estrutura da prefeitura após o período eleitoral.

As mensagens também revelam que os envolvidos acompanhavam as negociações com candidatos que estavam sendo pressionados a desistir da disputa. Em alguns casos, fotos das casas dessas pessoas eram enviadas durante as tentativas de abordagem, enquanto os articuladores acompanhavam as tratativas à distância.

O nome de Othon Luiz Maranhão aparece nas conversas analisadas como parte do círculo político ligado ao grupo de Fábio Gentil. A investigação indica que as articulações para retirada de candidaturas e negociação de apoio político ocorreram dentro desse ambiente político.

Othon Maranhão já havia se envolvido em outro episódio envolvendo a Polícia Federal em agosto de 2025. Na ocasião, após a deflagração da Operação Lei do Retorno, que investigava suspeitas de desvio de mais de R$ 50 milhões do Fundeb em Caxias, a Prefeitura divulgou um vídeo considerado um deboche à ação federal.

Na gravação, Othon aparece usando óculos escuros e cercado por pessoas que simulavam segurança, em tom de ironia, anunciando o pagamento da folha salarial dos servidores municipais. A Secretaria de Administração e Finanças, então comandada por ele, havia sido um dos alvos da operação da Polícia Federal.

Agora, meses depois de ironizar uma operação da própria Polícia Federal, o nome de Othon Maranhão volta a surgir em um novo inquérito que investiga manipulação de candidaturas e compra de apoio político em Caxias, novamente dentro do mesmo círculo político ligado ao ex-prefeito Fábio Gentil.

O avanço da investigação pode mudar o cenário político do município. A Justiça Eleitoral já cassou os mandatos do prefeito Gentil Neto e do vice Eugênio Coutinho Filho e declarou a inelegibilidade de Fábio Gentil por oito anos em outra ação que apontou uso da máquina pública e compra de votos.

Com as novas revelações do inquérito da Polícia Federal sobre compra de candidaturas e articulações políticas durante o processo eleitoral, a expectativa é de que um novo pedido de cassação da chapa de Gentil Neto seja apresentado à Justiça Eleitoral, com provas robustas coletadas pela Polícia Federal.

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