O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, tornou-se um dos nomes associados à investigação da Polícia Federal sobre o esquema criminoso de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apelidado de Farra do INSS, alvo da Operação Sem Desconto.
Nesta quinta-feira (18/12), agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar no âmbito da investigação que apura descontos ilegais e desvios de recursos de benefícios previdenciários.
Segundo a coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, nos últimos meses surgiram ao menos cinco conexões entre Weverton, seu círculo e investigados do caso, especialmente com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido pela Polícia Federal como “Careca do INSS” — apontado como figura central do esquema.
Principais pontos apontados pela reportagem:
Weverton Rocha e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, aparecem ligados por diferentes episódios apurados pela investigação. Os dois utilizaram ao menos em duas ocasiões a mesma aeronave particular, um Beech F90, em deslocamentos entre Brasília, São Paulo e o Maranhão.
O senador também adquiriu uma fazenda no Maranhão avaliada em cerca de R$ 15 milhões, valor muito superior ao patrimônio declarado nas eleições de 2022, compra associada a uma empresa familiar que manteve relação com o operador do esquema.
No mesmo contexto, Gustavo Marques Gaspar, apontado como braço-direito e homem de confiança de Weverton, assinou uma procuração concedendo poderes ao consultor Rubens Oliveira Costa para movimentar e sacar recursos de empresa de sua titularidade; Rubens é citado pela Polícia Federal como o “homem da mala” do Careca do INSS.
Registros internos ainda indicam que o operador do esquema e um ex-assessor do senador estiveram juntos no gabinete do então secretário-executivo do Ministério da Previdência, sem que a visita constasse na agenda oficial. Documentos também mostram que o Careca do INSS determinou a venda de um veículo registrado em nome de Gaspar, reforçando a proximidade entre os envolvidos.
Weverton, em nota, disse ter recebido “com surpresa” a ação da PF e afirmou que se coloca à disposição para esclarecimentos assim que tiver acesso integral ao teor da decisão judicial.
A investigação segue em andamento, e a CPMI do INSS e a PF tentam esclarecer as possíveis ligações entre políticos, operadores e esquema de fraudes que, segundo a PF e a Controladoria-Geral da União, pode ter causado prejuízos bilionários aos cofres públicos.
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