O pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide não partiu da Câmara Municipal, como ele tentou transparecer em vídeo publicado em redes sociais para conquistar apoio popular. A representação foi feita por um auditor fiscal, em nome de cerca de 400 servidores municipais, que cobram o cumprimento da lei do reajuste salarial — uma obrigação que o próprio Tribunal de Justiça já reconheceu como válida e que deve ser implantada pelo prefeito.
Apesar disso, Braide recorre, resiste a aplicar o reajuste e induz a população contra o Legislativo, “insinuando que os vereadores” querem cassá-lo para “impedi-lo de trabalhar”. Não é verdade. Não há movimento de vereadores para derrubá-lo, tampouco qualquer articulação política para cassação. A Câmara apenas recebeu o documento porque, por lei, qualquer processo desse tipo obrigatoriamente começa no Legislativo. Mas o pedido, a motivação e a autoria são dos servidores — não dos parlamentares.
O prefeito tenta inverter os papéis ao afirmar que não quer aumento salarial. Mas omite que esse reajuste não é para ele: é para cerca de 400 auditores e servidores municipais, ativos e aposentados, que só deixaram de receber porque o Ministério Público determinou que ninguém poderia ganhar acima do prefeito. Para corrigir a distorção e viabilizar o reajuste dos servidores, a legislação prevê que o salário do chefe do Executivo precisa ser reajustado também. Ele sabe disso. Usa o próprio salário como cortina de fumaça para impedir a valorização de quem tem direito legal ao aumento.
Enquanto se recusa a aplicar o reajuste dos auditores, Braide já aumentou os salários dos secretários municipais, da vice-prefeita e de outros cargos. Seleciona o que cumpre e o que ignora. E, agora, tenta transformar sua própria omissão em um problema criado pela Câmara.
Segundo informações de bastidores, o prefeito tentou negociar politicamente: se a Câmara retirasse o aumento de seu salário, que não é só o dele, ele liberaria emendas parlamentares represadas. A manobra fracassou. Desde então, Braide intensificou o discurso de que está sendo alvo de perseguição, embora o pedido protocolado trate exclusivamente do descumprimento da lei do reajuste — sem mencionar emendas parlamentares.
O documento entregue à Câmara expõe que Braide descumpre a Lei nº 7.729/2025, que define o teto salarial no município, e denuncia cortes considerados ilegais nos vencimentos de servidores desde novembro de 2024. Também cita possível prejuízo financeiro ao município e questões já em análise no Tribunal de Contas do Estado.
A Câmara de São Luís, por sua vez, informou apenas que recebeu a representação e que seguirá a tramitação prevista, com transparência e dentro das normas. Nenhum vereador apresentou pedido de cassação. Nenhum vereador articula a queda do prefeito. O que existe é um grupo de servidores cobrando o cumprimento de uma lei que Braide insiste em não aplicar.
A tentativa do prefeito de transformar um problema criado por ele mesmo em conflito político com a Câmara expõe não apenas a gravidade das acusações, mas a estratégia para desviar a atenção da população. O pedido está protocolado, o processo terá de seguir seu curso, e a responsabilidade por toda a crise — do início ao fim — é exclusiva da gestão Eduardo Braide.
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