A família de uma técnica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) denuncia irregularidades no atendimento e no registro oficial após a profissional sofrer um mal súbito durante o trabalho em São Luís. Segundo os relatos, a servidora, com mais de 20 anos de atuação na instituição, passou mal enquanto realizava procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar em uma vítima, sem o apoio necessário de outros profissionais, o que teria agravado seu estado de saúde.
De acordo com os familiares, a coordenadora de enfermagem teria determinado que a técnica realizasse o atendimento sozinha, apesar da exigência de revezamento entre equipes em procedimentos de reanimação. Durante a ocorrência, a servidora sofreu convulsões, foi entubada e encaminhada ao hospital. O atendimento à vítima, que não resistiu, teria ocorrido por volta das 4h30 da manhã.
Os parentes alegam que a direção do SAMU emitiu um documento oficial com horário divergente, registrando o acidente às 8h43, quando a técnica já havia dado entrada no hospital às 6h47. A defesa da família afirma que esse registro configura falsificação de documento público. Outro ponto questionado é a ausência da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), que, segundo eles, deveria ter sido fornecida imediatamente.
A advogada da família, identificada como Michelle, reuniu áudios e documentos da própria servidora que denunciavam perseguições, assédio moral e sobrecarga de trabalho por parte da coordenação de enfermagem. Relatos de colegas também indicariam um ambiente de pressão e intimidação dentro da unidade, incluindo a alocação de profissionais em locais distantes de suas residências como forma de retaliação.
Os familiares informaram ainda que não obtiveram acesso às fichas de atendimento da ocorrência, nas quais poderiam confirmar o tempo em que a técnica permaneceu sozinha no procedimento de RCP. O setor administrativo do SAMU teria exigido protocolo formal e prazo para liberar as informações, mesmo diante da urgência do caso.
O diretor-geral da unidade, identificado como Giuseppe, teria assinado e carimbado a declaração contestada pela família. A técnica, que também era sindicalizada e atuava em defesa de melhores condições de trabalho, permanece internada e, segundo os parentes, até o momento não houve resposta sobre o pedido de transferência para outro hospital.
A família afirma que levará o caso à Justiça e ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MA), responsabilizando tanto a coordenação quanto a direção do SAMU por negligência, abuso de poder e tentativa de encobrir as circunstâncias do ocorrido.
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