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Enquanto prefeitura de São Luís paga até 100% dos cachês de artistas nacionais adiantados, Braide veta projeto que permitia o mesmo a artistas locais

O prefeito Eduardo Braide vetou o projeto de lei da ex-vereadora Silvana Noely, aprovado pela Câmara Municipal, que autorizava o pagamento antecipado de cachês a artistas locais. O texto previa que grupos e produtores culturais de São Luís poderiam receber parte ou a totalidade do valor antes das apresentações, prática já adotada em diversos municípios como forma de garantir a viabilidade dos espetáculos.

Na mensagem enviada ao Legislativo, Braide justificou que a emenda incluída na Lei Orçamentária Anual de 2025 não poderia ser incorporada porque extrapolaria os limites legais desse tipo de norma. O argumento contrasta com as medidas aplicadas pela própria gestão, que em diferentes ocasiões autorizou pagamentos integrais e antecipados a atrações nacionais contratadas para festas oficiais da cidade.

Um dos casos mais recentes foi revelado pelo site Folha do Maranhão, que envolve a contratação da dupla sertaneja César Menotti e Fabiano, que se apresentou no Arraial da Cidade, no Centro de São Luís, em junho deste ano. O contrato firmado pela Secretaria Municipal de Cultura custou R$ 480 mil aos cofres públicos, incluindo R$ 350 mil de cachê e outros R$ 130 mil em despesas extras, como transporte aéreo em avião particular, hospedagem, alimentação e equipe técnica. Embora a proposta inicial previsse 50% antes e 50% dez dias depois da apresentação, o pagamento foi feito de forma integral e antecipada, sob a justificativa de que o evento estava próximo da data.

A situação se repete em outros eventos organizados pela Prefeitura, como o carnaval, o São João e o aniversário da cidade, que contaram com artistas de renome nacional recebendo antes mesmo de subir ao palco. Em contrapartida, blocos e grupos tradicionais da capital aguardam até hoje repasses referentes a apresentações já realizadas. De acordo com a ex-vereadora, apenas os 32 blocos tradicionais custariam R$ 224 mil em cachês — valor muito inferior ao destinado a uma única atração nacional.

O veto do prefeito Eduardo Braide gerou críticas de produtores culturais, que apontam tratamento desigual entre artistas locais e nacionais. A decisão será analisada pela Câmara Municipal, que poderá mantê-la ou derrubá-la, em meio à pressão por maior valorização dos artistas de São Luís.

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