A investigação conduzida pela Polícia Civil do Maranhão revelou a trajetória de Maria Angélica Roxo Lima, advogada criminal que, segundo o inquérito, desempenhou papel central na ocultação de bens e valores ligados ao esquema de lavagem de dinheiro e jogos de azar comandado pela influenciadora digital Andressa Tainá Lima de Sousa.
Os autos apontam que Maria Angélica recebeu em suas contas bancárias mais de R$ 5,6 milhões provenientes do esquema, operando como intermediária para movimentar e disfarçar a origem ilícita dos recursos. Parte desse montante teria sido direcionada para a aquisição de veículos de luxo, como uma Toyota SW4 e uma BMW, ambos registrados em nome da advogada, mas usados por Tainá e pessoas de seu círculo próximo. Para os investigadores, esses ativos eram peças-chave na estratégia de blindagem patrimonial da influenciadora.
Gravações e mensagens interceptadas mostram que Tainá se referia a Maria Angélica como sua “laranja”, tratando o assunto com ironia em conversas com familiares. Já a advogada, ciente do risco de ser flagrada, teria arquitetado contratos de honorários advocatícios com valores elevados e serviços fictícios para justificar a entrada dos milhões em suas contas. Entre as manobras citadas no inquérito está a alegação de que festas luxuosas da influenciadora, como a comemoração de 30 anos, teriam sido bancadas integralmente por ela — versão que, segundo a polícia, não condiz com a realidade.
Outro ponto destacado é o uso irregular de arma de fogo. Embora possuísse autorização de posse para dois endereços específicos, Maria Angélica foi flagrada portando o armamento de forma ostensiva, em vias públicas e dentro de veículos, inclusive em eventos sociais. Publicações no Instagram, algumas fixadas nos “Destaques” do perfil, mostram a advogada posando com a arma, prática considerada pela polícia como desvio de finalidade da licença e infração ao Estatuto do Desarmamento.
O inquérito também atribui a Maria Angélica um golpe contra a própria cliente. De acordo com as investigações, ela teria convencido Tainá de que possuía influência junto à Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC) e, explorando operações policiais contra jogos de azar, solicitou valores sob o pretexto de repassá-los a autoridades para evitar ações contra a influenciadora. As apurações, no entanto, apontam que o dinheiro não chegou a qualquer agente público e teria sido incorporado ao patrimônio pessoal da advogada.
Para a Polícia Civil, as evidências expõem não apenas a participação ativa de Maria Angélica no esquema criminoso, mas também uma conduta marcada pelo aproveitamento da confiança profissional para benefício próprio. Embora apareça como vítima no episódio do suposto golpe, Tainá também é citada por ter repassado recursos acreditando “comprar proteção”, conduta que, segundo os investigadores, caracteriza tentativa de corrupção.
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