Em um desabafo, Paulo Henrique, presidente do Sindicato dos Usuários do Transporte Público do Maranhão, denunciou o abandono do transporte coletivo de São Luís e criticou a inércia das autoridades responsáveis pelo setor. Em um vídeo gravado no Anel Viário, região central de São Luís, ele relatou a precariedade do serviço e cobrou medidas efetivas da Prefeitura, do Governo do Estado e dos parlamentares que deveriam fiscalizar a situação.
O sindicalista lembrou que, ao longo dos anos, diversas audiências públicas e até mesmo uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foram realizadas na Câmara Municipal para investigar os problemas do transporte público. Porém, segundo ele, nenhuma dessas iniciativas trouxe resultados concretos. O relatório da CPI, com mais de 220 páginas de denúncias, fotos, vídeos e levantamentos sobre o sistema de transporte, permanece engavetado no Ministério Público, sem qualquer providência.
A insatisfação com os vereadores foi um dos pontos centrais do desabafo. Paulo Henrique afirmou que os parlamentares não fiscalizam o serviço e ignoram os apelos da população. De acordo com ele, convites para que vereadores acompanhem as vistorias nos terminais de integração e nos pontos finais das linhas de ônibus não são atendidos. No entanto, durante o período eleitoral, os mesmos políticos aparecem nas comunidades em busca de votos, mas desaparecem depois de eleitos.
Outro problema denunciado foi o aumento abusivo das tarifas cobradas pelo transporte alternativo. Com a precarização do sistema oficial de ônibus, a população tem recorrido a lotações e veículos particulares, que chegam a cobrar entre R$ 10 e R$ 25 por viagem. Segundo Paulo Henrique, a falta de fiscalização por parte da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) tem permitido essa exploração dos usuários.
O presidente do sindicato também criticou a atuação da MOB, órgão responsável pelo transporte semiurbano entre São Luís, Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar. Segundo ele, o atual presidente da agência, Adriano Sarney, não tem conhecimento técnico sobre o setor e não busca diálogo com a população para resolver os problemas enfrentados diariamente pelos passageiros.
Na esfera municipal, as críticas se voltaram para a gestão do prefeito Eduardo Braide, que, segundo Paulo Henrique, já nomeou quatro secretários de trânsito e transportes durante seu mandato, sem que houvesse qualquer avanço na solução dos problemas do sistema. O sindicalista classificou as nomeações como “um pior do que o outro” e lamentou que a população continue pagando caro por um serviço cheio de falhas.
Além da Prefeitura e da Câmara Municipal, a Assembleia Legislativa do Maranhão também foi alvo da denúncia. O presidente do sindicato questionou a ausência de ações por parte dos deputados estaduais e cobrou um posicionamento mais firme dos parlamentares sobre a crise no transporte público. Ele destacou que, enquanto os políticos fazem discursos, a população segue enfrentando ônibus lotados, tarifas elevadas e terminais deteriorados.
Por fim, Paulo Henrique enfatizou que a crise no transporte público de São Luís é resultado da falta de compromisso e responsabilidade das autoridades. Ele afirmou que as disputas políticas se sobrepõem ao dever de garantir um serviço digno para a população. “Não é pelo compromisso com a cidade, é pelo poder”, declarou.
Veja o vídeo
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