A greve dos rodoviários em São Luís chegou ao fim após decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região do Maranhão (TRT-MA). A desembargadora Márcia Andrea Farias da Silva determinou que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) conceda um reajuste salarial de 7% e um aumento de 10% no ticket alimentação aos trabalhadores do sistema de transporte urbano. O reajuste segue os mesmos moldes do acordo firmado anteriormente para os trabalhadores do sistema semiurbano.
Com garantia do reajuste e após ser notificado da decisão judicial, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Marcelo Brito, anunciou que a categoria deveria retornar ao trabalho imediatamente. No entanto, ele alertou que alguns motoristas poderiam não cumprir a decisão devido ao atraso salarial em algumas empresas. “Vamos voltar a trabalhar, mas sabemos que a negociação ainda não acabou. Esta decisão abrange apenas as cláusulas econômicas; ainda falta discutir o plano odontológico, o seguro de vida e o plano de saúde”, declarou Brito.
Ainda segundo o sindicalista, algumas empresas não pagaram sequer o adiantamento salarial dos trabalhadores, o que pode dificultar a retomada total das atividades. “Vamos retornar ao trabalho, mas as empresas que devem salários precisam resolver essa situação para evitar novos impasses”, ressaltou.
O impasse teve início quando o SET afirmou não ter condições de conceder o aumento nos salários e no vale-alimentação dos rodoviários. Embora possa cumprir a decisão judicial, o sindicato patronal alerta que isso pode resultar em novos atrasos salariais, retomando o conflito.
Segundo Paulo Pires, representante do SET, o setor de transporte coletivo enfrenta um grave desequilíbrio financeiro devido à alta dos combustíveis e ao aumento dos preços dos ônibus, que passaram de R$ 400 mil para aproximadamente R$ 1 milhão.
Pires destacou ainda que a manutenção do ar-condicionado nos ônibus representa um desafio devido ao alto custo operacional e ao impacto na tarifa. Ele defendeu um subsídio por parte da Prefeitura de São Luís, semelhante ao modelo adotado pelo governo do estado, para equilibrar as contas do sistema. “O usuário não pode ser o único a bancar o serviço. Precisamos que o poder público arque com parte dos custos para garantir um transporte digno para a população”, afirmou.
Apesar do fim da greve, a situação ainda não está resolvida. As negociações entre os rodoviários e o SET continuarão, especialmente em relação a benefícios como plano de saúde e seguro de vida. Além disso, o risco de novos atrasos salariais pode provocar mais conflitos entre patrões e trabalhadores.
A tarifa também segue como ponto de discussão. O SET defende que a tarifa de remuneração ideal seria de R$ 7,17 por passageiro para manter o equilíbrio financeiro do sistema, mas argumenta que a tarifa pública para os passageiros deve permanecer em torno de R$ 4,50, exigindo assim maior intervenção da prefeitura para suprir a diferença.
Diante do impasse, o prefeito Eduardo Braide, ao anunciar uma nova licitação, afirmou que não repassaria mais recursos diretamente aos empresários e que o dinheiro do subsídio seria utilizado para bancar o transporte por aplicativos para a população. Entretanto, até o final desta quinta-feira, o sistema ainda não estava disponível, e os usuários cobravam a realização da promessa.
Com o retorno parcial dos ônibus às ruas, resta saber se Braide irá manter ou aumentar o subsídio até a conclusão de uma nova licitação, sem elevar a tarifa de ônibus, ou se o SET arcará com o reajuste dos rodoviários sem o auxílio do poder público.
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